Desde criança que sonho com os príncipes encantados. Coisas de pisciana com ascendente em peixes! Antes, eles tinham a forma das histórias maravilhosas mesmo. Depois de um tempo, passaram a ter um estereótipo mais conhecido, mais do meu meio.
Na adolescência sonhei em me casar com um músico, com um poeta ou com um artista. E de tanto sonhar, acabei me casando com um Analista de Sistemas, prático, rápido, direto, matemático.
Algumas coisas só vivem bem no mundo da fantasia. Apesar do meu apelo com o pessoal da boemia, dos cabelos compridos, das barbas por fazer, hoje acredito que criei esse modelo de homem na minha cabeça.
E hoje, lendo o texto “Vida de Poeta”, do poeta gaúcho, Fabrício Carpinejar, ri de mim mesma ao me lembrar que sonhara – um dia – estar ao lado de um homem das artes. Inebriada pela possível sensibilidade deles, hoje percebo que talvez eu buscasse a antítese masculina.
E que essa negação não existe! E se existe, está nos gays. Podem tocar belas canções, podem declamar versos melados, podem pintar cenas românticas nas telas… mas, eles continuam sendo homens. Em maior ou menor grau, terão seus momentos de fúria esportiva ou virarão o rosto para a gostosa ao lado.
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“Ficarei tão constrangido como nudez de macho em lago gelado. É certo que no domingo estarei assistindo a uma maratona futebolística, entremeada dos campeonatos espanhol, italiano e inglês, além dos estaduais. Emendarei um jogo a outro, sem pausa. Falarei disso no resto do dia, depois de acompanhar os programas de reprise de gols e comentários das rodadas. Lembra alguém?
Se ela desfilar de lingerie pequeníssima, sou capaz de entortar o pescoço para não perder o lance…na tevê.
Não me diferencio de nenhum estereótipo masculino. Freqüentarei o mercado a contragosto, praguejando as filas e o estacionamento. Reclamarei no momento de visitar a sogra. Vou esperar comidinhas de mão beijada. Não atenderei ao telefone. Talvez leve o lixo para baixo e lave a louça, o que não traduz culpa e reconciliação, é uma tática para renovar o crédito da vadiagem e pedir mais em seguida. Dormirei num espetáculo de balé ou num musical. O ronco cumprirá minha rara intervenção no teatro, uma espécie de aplauso. Não duvido que não perceba o corte de cabelo novo da namorada. E sua vontade de sair e caminhar ao redor da praça.
Tão parvo e tosco como qualquer marmanjo num final de semana.
Não troque seu marido por um poeta. Os direitos autorais não compensam.”
Fabrício Carpinejar, em www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br



1 Comentário
Março 23, 2009 às 10:03 pm
adoro poesia