Junho 30, 2009...1:44 pm

Talento criativo não é talento comercial

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Meu modo de comércio é mais poético“. Com essa frase, Olivier Baussan, 72 anos, disse à repórter do programa Mundo SA, da Globo News, que não foi capaz de levar ao sucesso sua rede de lojas da L’Occitane, uma das marcas de cosméticos mais desejadas do mundo.

Quando vi essa declaração, fiquei até assustada. Como assim ele não levou sua rede ao sucesso? São mais de 75 países onde as lojas marcam presença. Sempre com o piso de cerâmica, as prateleiras em madeira e o tom pastel das paredes.

E quando prestei atenção, ele continuou. Olivier é um gênio, que conseguiu extrair a essência de uma flor, transformando-a em sabonete, quando tinha 25 anos. Mas, seu talento para os negócios é poético, como ele mesmo disse.

Anos mais tarde, suas três lojas da L’Occitane em Provence, sul da França, mais deviam do que rendiam. E aí entrou um investidor austríaco, que injetou uns milhões de dólares e fez a marca expandir mundo afora.

E fiquei pensando: não basta ser um gênio e saber tudo do seu produto, mas não saber negociar. Olivier Baussan disse que o austríaco fez o mundo conhecer seus cosméticos, porque soube fazer boas parcerias, teve ousadia nos negócios e não sentiu medo dos grandes financiamentos.

Não consigo saber se tenho em mim essa veia empreendedora. O que sei é que de uns tempos para cá, já imagino melhor algumas situações e ouso dar meus primeiros passos, mas ainda tenho medo. É bem mais confortável ser assalariado a correr os riscos de ter um negócio.

Entretanto, algumas pessoas têm esse talento e outras não. E como Olivier mesmo disse, bem-vindo foi esse investidor, que o fez ter apenas 5% da sociedade. Mas, bem melhor ter 5% de 1000 lojas do que 100% de 3, não é?

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