Se as mulheres não fossem preparadas para o parto normal, Deus as faria mulheres?
Essa foi a frase com que eu abri o meu discurso em prol do parto normal para uma amiga, prestes a dar à luz seu primeiro filho. Natural da primeira gestação, ela se consome em ansiedade e medo do parto. E, talvez por influência de outras pessoas, ela esteja quase decidida a fazer a cesárea.
O que não é de se espantar, pois no Brasil – apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) tem um aviso “A cesariana pode fazer mal à saúde – esse tipo de parto é o que mais cresce.As razões para esse aumento desproporcional no número de partos cirúrgicos são históricas. As mudanças de comportamento incentivadas pela Revolução Sexual e o Movimento Feminista geraram mulheres mais ativas e exigentes.
Era comum lermos, em grandes reportagens de jornais e revistas, declarações em que as mães testemunhavam a favor da cesariana, dizendo que seu filho nasceria numa data que lhe seria conveniente, não haveria correrias, a criança nasceria sem o “trauma” do parto normal, etc. A essa visão algo distorcida dos fatos veio aliar-se a conveniência dos médicos: um trabalho de parto normal pode tomar de 4 a 8 horas (e às vezes mais) do tempo deles, enquanto numa cesariana, em condições normais, tudo se resolve em pouco mais de uma hora. Além do que, imagino eu, eles devem ganhar mais num parto cirúrgico do que num parto natural.
Eu sou defensora árdua do parto normal. E o meu maior argumento é o seguinte: precisamos passar pelas dores do parto para poder segurar as dores maiores que virão depois, sendo mãe. Não são dores físicas como as do parto, mas talvez até piores.
E o parto normal nos faz introjetar aquilo que realmente importa nesse momento: ser mãe. As dores, a espera, as contrações, a evolução do seu corpo, a modificação da barriga. Tudo isso faz parte do processo que marca a nossa vida, nos preparando de fato para sermos mães. As mulheres que optam em pular essa parte, pelo comodismo, pelo medo, pela fuga de não sentirem dores, perdem algo muito significativo do processo de ser mãe.
Que resistência é essa a sentirem dores? Percebo que no mundo existe um movimento tão efêmero que prega o prazer acima de tudo. E nesse contexto as dores não estão inseridas. Nenhuma. Deve ser por isso que as vendas de analgésicos e os casos de auto-medicação crescem tanto nos últimos anos.
Mas, algumas dores são mais que necessárias para o crescimento. Muitos de nós que tentam escapar de processos dolorosos, mais tarde sofrerão o dobro. E eu incluo a maternidade nisso. Isso aqui não é uma apologia à auto-flagelação, longe disso. É justamente o contrário.
É deixar o bebê nascer na hora que estiver pronto e não quando o médico determinar. Passar horas se preparando para parir é como o marco desse processo. É se transformar em uma nova mulher, justamente para enfrentar todos os desafios que a maternidade trazem consigo.

Glauciana Nunes se intitula como uma mãe-menininha. Com apenas 27 anos e um parto natural na história, se prepara para dar à luz seu segundo filho. E de parto normal, com certeza!


2 Comentários
Julho 2, 2009 às 7:15 pm
Tô dentro! Sofri demais no parto da Sofia, pq ela ficou meio que agarrada… EU não conseguia fazer força suficiente pra ela sair, os médicos empurravam pela minha barriga, mas ela não saía. Não dava pra fazer cesárea (graças a Deus) pq ela já estava no meio do caminho. Foi de fórceps. E apesar do pós-parto ter sido mais chato por causa disso, eu não me arrependo e sou MEGA a favor do parto normal!
As dores passam e depois a gente nem lembra mais como foi… São momentos únicos q a mulher deveria aceitar viver…
Bj
Julho 4, 2009 às 1:42 pm
De tanto que minha mãe tentou evitar a minha dor, hoje ainda sofro. A dor é inevitável e o sofrimento.. também!
PS:Bela foto.