
Conheço algumas pessoas, bem poucas, que parecem que são perfeitas. Toda certinhas, nos modelos ideais – se é que isso existe. Conseguem reunir em uma única vida todos os atributos que a maior parte dos seres vivem buscando incessantemente: são inteligentes, bem sucedidos no trabalho, vivem uma linda e estável história de amor, conhecem inúmeros países, são legais, simpáticos, sabem de tudo, já provaram as iguarias dos melhores restaurantes around the world, são malhados. Enfim, por onde andam arrancam suspiros e olhares.
Mas, posso confessar? Morro de medo dessas pessoas! Apesar de conseguirem unir essa galeria de peso de adjetivos, me dão um medo absurdo! E isso é bem ruim. A impressão que me passam é que – apesar da simpatia – qualquer um de nós, reles mortais, que aparecermos em seu caminho seremos realmente reles mortais. Me sinto como um bichinho acuado. Não converso, por não ter assuntos de tanta grandeza, não falo muito profissionalmente, por medo de achar que eles sempre me acharão burra, já que conhecem as melhores técnicas do mercado.
E eu gosto é de me relacionar com pessoas tão normais. Gosto mesmo é daqueles que, assim como eu, têm um monte de pequenos problemas. Um luta contra a balança, outro não se encontrou na profissão e vive na pindaíba de grana, aquele ali vive no cafundó do interior e não conhece nem a capital do seu próprio país – assim como eu – quiçá o exterior, aquela outra vive chorando das dores de amor e sonhando com o príncipe encantado.
Mas, como eu amo essas “pessoas tortas”, como diz o Chico Buarque. Ah, como me sinto à vontade com elas, como posso ser eu mesma, falar abertamente sobre as minhas conquistas, sobre os meus percalços, meus tropeços e levantadas. Como posso defender meus pontos de vista sem a impressão de que serei taxada de burra ou qualquer outro adjetivo pejorativo.
E claro que eu sei que isso é um problema meu! Exclusivamente meu! rs…
Afinal, se eu tenho firme em mim os meus princípios e sei dos meus valores, não deveria me preocupar com o que vão achar das coisas que eu falo e das bandeiras que levanto. E esse medo é apenas uma rejeição minha. Preciso tratar, é verdade, mais que rapidamente! Porque, afinal de contas, essas pessoas nem são tão perfeitas assim e, de repente, nem pensam nada a meu respeito. Apenas o meu medo as faz ser esses gigantes que parecem!


1 Comentário
Setembro 18, 2009 às 11:06 pm
uma vez fui numa festa, era da minha própria família, mas eu me senti burro feito uma porta. Mais por fora que bunda de índio. Desde então passei a ler jornal impresso diariamente. Podia ser apenas a falta de assunto minha. A falta de interesses em comum. Eu gosto das pessoas normais também.