Outubro 7, 2009...6:31 pm

“Redes sociais são pessoas conectadas”

Ir aos comentários

redessociais

Pesquisador brasileiro espanta estudantes de comunicação em palestra ao afirmar que twitter, blog e orkut não são redes sociais

Uma abordagem, no mínimo diferente da que se pratica ultimamente – para não dizer utópica – foi a palestra sobre redes sociais, ministrada pelo físico e pesquisador Augusto de Franco, na noite de 15 de setembro, no auditório do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na capital paulista.

O palestrante abriu sua fala explicando o conceito de rede social que defende: “São pessoas interagindo segundo um padrão de organização de rede distribuída”. Ou seja, pessoas conectadas já são as redes sociais e não as ferramentas de redes sociais, como twitter, orkut e facebook, de acordo com Franco. Para ele, esses mecanismos são ótimas ferramentas que fazem a articulação de redes: os caminhos e as conexões. Já que, de acordo com o físico, as redes são as próprias pessoas conectadas.

Sendo assim, Augusto mostrou como exemplo o Diagrama de Paul Baran, de 1964, que classifica três redes distintas com as mesmas pessoas, ou seja, com os mesmos indivíduos. Esses três exemplos refletem que existem vários caminhos entre as pessoas em uma rede. As redes são múltiplos caminhos.

Essa afirmação pode ser trazida aos dias atuais para os modelos de hierarquização empresarial e fluxo da informação. Quantos de nós não trabalhamos em empresas que a informação sai de cima e vem para baixo? Ou, então, que a informação sai de cima, se dissemina entre líderes de pequenos grupos em um patamar abaixo e, só depois, chega aos indivíduos desse núcleo? Esse é praticamente o modelo de trabalho que vigora no mundo. Não consigo me lembrar de nenhuma instituição que faça a informação fluir de forma distribuída, sem nenhum ponto de concentração, liderança ou decisão.

Em tese, a Escola de Redes, comunidade criada pelo palestrante, Augusto de Franco, e hospedada no Ning, é um modelo de rede distribuída. A definição dela é a seguinte: “A Escola-de-Redes não é uma organização hierárquica nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas acima, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram”.

Ainda tenho várias dúvidas e precisaria estudar mais profundamente a teoria que é nova. Como o próprio Augusto diz, as redes não são novas, elas existem desde que o mundo é mundo. O que é nova é a teoria de redes. Para tanto, a Escola de Redes, no Ning, é um bom começo. Uma visão bem diferente da que tanto se martela pelo mercado publicitário e comunicacional no mundo, exaltando as “redes sociais”. Vale a informação para conhecimento de uma nova vertente teórica.

Deixe uma resposta