Novembro 5, 2009...7:17 pm

Tristes eles

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casal
Eu sempre escuto as pessoas falarem “estou presa a um relacionamento falido”, “não tenho filhos porque não quero me prender”, “com fulano eu não tinha liberdade” e tantas outras frases nas quais as palavras prisão e liberdade sempre estão no meio.

E fico me perguntando: porque os relacionamentos significam falta de liberdade para algumas pessoas?

Será que porque elas têm uma visão distorcida de liberdade? Será que porque só encontraram companheiros opressores durante a vida? Será que porque se freiam de fazer coisas e culpam o outro?

Realmente não sei a resposta, mas sinto algo estranho dentro de mim quando ouço falarem dessa forma. Até acho que em algumas situações exista mesmo essa falta de liberdade tão queixada. Há inúmeros casos de namoros e casamentos baseados na possessividade, no ciúme excessivo e até na poda da personalidade alheia. Eu mesma, no início de meu relacionamento, cheguei a sufocar meu Presente com cenas e atitudes possessas.

Há também situações mais graves, quando não só a liberdade do outro é tolhida, mas também o respeito deixa de existir. Quando a violência verbal impera e, quiçá pior, quando evolui para a física. Chegado nesse ponto, as pessoas não se toleram mais. Só veem uma forma de atingir o outro.

E aí vem a pergunta-chave: porque, então, não se separam?

Oras bolas, para mim é muito óbvio. Se duas pessoas se escolhem para ficar junto, para viver uma vida lado-a-lado, para compartilhar experiências, para formar uma família [ou não, porque ter filhos não é obrigatório entre os casais, em minha opinião, desde que isso seja de comum acordo entre ambos], se firmaram o compromisso voluntário de se relacionarem no amor, porque é tão difícil desfazer esse acordo quando ele não estiver mais sendo saudável a elas?

Sim, eu sei que estou sendo prática e utópica demais aqui. Talvez por nunca ter sofrido muito no amor e ter tido a sorte de encontrar o homem da minha vida aos 19 anos. Não quero parecer pedante, longe disso, só gostaria de tentar encontrar respostas que pudessem servir a tantas pessoas que eu amo e que vejo presas nessas prisões sem grades.

Sei que há muitas questões envolvidas, como a dependência – em muitos casos não só emocional, mas também financeira -, o apego à companhia do outro - “se ele, mesmo ruim, não estiver mais ao lado, quem ocupará esse vazio?” -, o medo da solidão – “ruim com ele, pior sem ele”, já que encarar a si próprio doi bastante e conviver com você mesmo, sem a bengala de jogar a culpa no outro, é bem complexo, cá entre nós.

Entretando, continuar se apoiando nesses subterfúgios e levar uma relação adiante por outros motivos que não o amor, a motivação de estar junto e o desejo sincero de compartilhar uma vida, é covardia. Isso, sim, covardia. Porque, amigos, não vejo pessoas presas ao pé da mesa, acorrentadas ao amor doentio do outro. A decisão de sair ou não da tal prisão, neste caso, está única e exclusivamente nas nossas próprias mãos.

Ok, eu sei eu sei que é muuuuuuito difícil romper relacionamentos. Entretanto, culpar o outro por sua falta de liberdade, por estar perdendo coisas na vida é, em minha visão, muito pior. Tristes aqueles que vivem nesse pesadelo. Tristes.

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